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Em 2004 recebi o convite da Fundação Cultural de Criciúma para realizar uma exposição em 2005. Com tempo, desenvolvi o projeto “Espectros – Reescrevendo o Passado”, uma intervenção site specific em que utilizei como referência a história do prédio, onde atualmente se encontra a FCC. Este prédio foi construído inicialmente para abrigar o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) em 1945. No prédio do DNPM, foi construído um laboratório para análise de carvão e galpões para o seu acondicionamento. Foi instalado também o primeiro aparelho de Raios-X de Santa Catarina, para tirar radiografias dos mineiros. Em 1962, o setor de Criciúma do DNPM foi desativado, assumindo a Comissão Executiva do Plano do Carvão Nacional – CEPCAN. Com a eclosão do golpe militar em 1964, o prédio funcionou durante alguns meses como cárcere a indivíduos acusados de comunismo na cidade. Em 1971, foi desativado o setor do CEPCAN em Criciúma, sendo transferido para a cidade o Conselho Nacional do Petróleo (CNP). Em 1993, a Fundação Cultural de Criciúma (FCC) se apropriou da ala direita do prédio, criando o Centro Cultural Jorge Zanatta. E em 1996, todo o prédio passou a ser administrado pela FCC. Para realizar esta exposição
reproduzi alguns dos principais acontecimentos deste prédio,
utilizando o tule para a produção dos objetos, somente
nas cores preta e branca para remeter ao passado. Está sendo realizada uma pesquisa sobre o prédio e suas atividades realizadas desde sua construção, por estudantes universitários, com o interesse de tombá-lo. O prédio não foi tombado por pertencer ao poder público federal, não encontrando um responsável para responder pelo patrimônio. E, infelizmente, no decorrer dos anos, a discussão sobre sua importância histórica e necessidade de tombamento foi perdendo força. Os pesquisadores perceberam isto nas entrevistas feitas com algumas pessoas no centro da cidade, concluindo que a maioria dos habitantes reconhece a importância do prédio, mas ignora sua história e ligação com as atividades carboníferas. A proposta desta exposição foi reacender na comunidade o interesse pelo prédio como bem cultural. Laura Cogo, 2005
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