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Na mesma semana que
fui para o Rio conhecer o Paço Imperial, fui para Florianópolis
conhecer o MASC, lugar onde sediaria a mostra Ausências,
itinerância de parte das obras da mostra Paradoxos Brasil,
com curadoria de Marisa Mokarzel.
O espaço do MASC é imenso e muito bem conservado,
mas levaram muito a sério o conceito de cubo branco
como espaço expositivo. Não há nada
mais além das paredes brancas. Não há
sequer um extintor de incêndio à vista. Meus
olhos não conseguiram se inspirar dentro daquele
espaço vazio. Eu precisava de algo que pudesse impulsionar
minha criatividade, então busquei informações
com toda a equipe do museu. Os enchi de perguntas, até
que uma pessoa do setor educativo me contou: “Pois
é, nós queremos muito que comprem uns bancos
para as pessoas sentarem. Muitas senhoras de idade não
agüentam visitar toda a mostra, porque não têm
onde descansar. Mas o diretor não quer ‘poluir’
o espaço, então fica esse vazio que você
vê.”
Depois de ouvir as lamúrias, não restaram
mais dúvidas com relação a o que apresentar
na mostra Ausências. Produzi seis bancos
de museu, utilizando a cor branca - não quis me indispor
com o diretor do museu poluindo ainda mais o espaço
expositivo, e intitulei a intervenção “Mobiliário
de Museu – Para contemplar”.
Laura Cogo, 2006
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