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Marcas que cuentan
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Muitos lares já foram esvaziados. Eu mesma já me mudei quatro vezes até hoje, e não sei quantos lares mais terei que esvaziar. Mas sinto que em cada lugar deixei um pouco da minha vida. As mudanças são inevitáveis. Carregamos objetos, móveis e lembranças com a gente, mas não o tempo passado em cada lugar. Onde não há mais vida, o tempo não passa. Este tempo permanece nos vestígios, nas marcas que deixamos pra trás. Marcas que contam é uma instalação que propôs representar este tempo. Marcas de pó foram feitas no piso com a intenção de insinuar os lugares onde se encontravam os móveis de um acolhedor ambiente familiar. As formas no piso representam as marcas que ficam quando deslocamos os móveis da nossa casa e percebemos a sujeira depositada embaixo. A sujeira, o pó, preserva a forma exata do móvel que se encontrava ali. As paredes foram manchadas com uma cor acinzentada, ressaltando as formas de supostos quadros e fotos que se encontravam pendurados nelas. Diferentes formas, tamanhos e intensidade das manchas destacam as marcadas paredes que ainda carregam sua história, marcadas pelo tempo, de momentos vividos. Um espaço recém esvaziado, onde se sente a presença da ausência. Laura Cogo, 2006
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