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Espectros - UFRGS
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“Trabalhar para a rua significa questionar mais de cem anos de produção artística dirigida ao museu. Para o artista, significa também descer de seu pedestal, ousar o risco e aceitar a humildade.” (Daniel BUREN, 2001) Espectros são intervenções urbanas em espaços não autorizados – ou autorizados. Espaços públicos, vividos e conquistados. São ações de guerrilha cultural contra a apatia e passividade da cidade, das pessoas e de seu comportamento social nesses espaços. Tratam de ser o mais impactantes e intensas, ao mesmo tempo em que efêmeras. Trabalham com o espaço autônomo temporal. Mantêm sua presença por pouco tempo, para não provocar a cegueira e conseqüente desaparição. Em busca do genius loci, o espírito do lugar. Trabalhando em um determinado espaço e com esse espaço é possível resgatar seu caráter, sentindo sua essência logo que observado. O que está presente no lugar é o que faz existir este lugar. Trato de reproduzir ressaltando o que parece estar ocluso, para lembrar o esquecido. E assim encontrar o equilíbrio existencial. É competência do homem fazer o lugar situar-se na história, sua história. E sigo acreditando nisso para que o trabalho suceda. Espectros são propostas que prevêem a ação do observador, investindo em elementos e significados para o espectador casual, não predisposto a olhar, causando surpresa, um olhar sem ver, um confronto com o olhar comum. Sendo o espectro dos objetos uma ameaça à estabilidade do espaço em questão. Espectros se inserta no contexto das práticas artísticas contemporâneas que trabalham com mudanças, alterações e substituições, instaurando um lugar limite entre o objeto real e o objeto imaginário, a arte e a não arte, a superfície e a profundidade. A rua é de todos. A arte é feita para todos. Laura Cogo
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